Com improviso e deboche, shows de comédia LGBT+ lotam teatros em SP e atraem até público hétero

  • 16/05/2026
(Foto: Reprodução)
Shows de comédia LGBT+ lotam teatros em SP e atraem até público hétero Plateias lotadas, piadas improvisadas, interação com o público e drag queens debochando umas das outras. Os shows de comédia protagonizados por artistas LGBTQIAPN+ vivem um novo momento em São Paulo, ocupando grandes teatros da capital e atraindo até espectadores heterossexuais. Muito antes de ocupar teatros tradicionais da capital, o humor LGBTQIAPN+ encontrou espaço em boates, cabarés e casas noturnas que se tornaram redutos da comunidade paulistana a partir dos anos 1980. Locais como Medieval, NostroMundo, Homo Sapiens e Blue Space (em funcionamento até hoje) ajudaram a formar lendas como Silvetty Montilla, Nany People e Salete Campari em uma época em que a representação LGBTQIAPN+ ainda era rara na televisão e no mainstream. Nos anos 2000, o stand-up brasileiro viveu um boom, porém, grande parte do humor sobre LGBTs vinha de olhares externos e estereotipados. Hoje, uma nova geração de comediantes transforma vivências da própria comunidade em matéria-prima para a comédia. O LGBTQIAPN+ deixou de ser alvo e se tornou o autor das piadas. Comediantes como Bruno Motta, Fernando Pedrosa, Babu Carreira e Júnior Chico estão retomando esse espaço na cena paulistana e reformulando a linguagem do stand-up, ocupando grandes teatros, clubes de comédia e até fazendo turnês internacionais. Gongada Drag Divulgação Gongação, improviso e deboche Um dos espetáculos que conquistaram o público é o Gongada Drag: um show de mais de duas horas com artistas LGBTs e drag queens se "gongando". Criado nos Estados Unidos, a gongação (ou "roast", em inglês) é um estilo de comédia focado em tirar sarro de alguém — geralmente com piadas ácidas, ironia, deboche e respostas rápidas. Com mais de 20 anos de carreira e o Furo MTV no currículo, o comediante Bruno Motta é o criador do Gongada e o apresentador do show que costuma ter, em média, seis convidados. Como o elenco é rotativo e movido pelo improviso, cada sessão é única (e hilária). “O Gongada é meio pioneiro em reabrir esse espaço, em perceber que ele estava se fechando, apesar de tantas pessoas e lugares terem batalhado antes da gente”, afirma Bruno. Segundo ele, o espetáculo também busca mostrar que existe um humor LGBTQIAPN+ para além dos formatos mais tradicionais do stand-up atual. Parte da inspiração para a criação do Gongada veio do humor debochado dos shows de drag queens na noite paulistana, de acordo com o comediante. Além de frequentar esses espaços, Bruno também trabalhou com Nany People na Blue Space, localizada na Barra Funda, na Zona Oeste. Outra inspiração para a produção do Gongada foram as festas "Priscilla" conhecidas há mais de uma década por trazer participantes do reality show estadunidense RuPaul's Drag Race para o Brasil. Bruno conta que ficou impressionado com a busca do público por uma festa superproduzida, mesmo com o ingresso caro. Mesmo criado recentemente, no fim de 2023, o Gongada já coleciona sessões lotadas e se tornou um dos símbolos do crescimento da comédia LGBTQIAPN+ em São Paulo. Em 2024, o espetáculo realizou 34 apresentações na capital paulista e em outras cidades do país. No ano seguinte, esse número dobrou e chegou a 70 sessões. Na avaliação do comediante, havia uma demanda dos LGBTs para consumir o humor e se sentir representado no palco. Então, criou-se um ambiente seguro e de pertencimento para a comunidade. "Acho que os LGBTs não tinham nenhum espetáculo que nos prestigiasse. A gente não tinha esse lugar de comunidade para nós. Então, [o Gongada] é um lugar seguro para nós, LGBTs. É um espetáculo que não existia e é um nível de produção altíssimo, com talentos drags e comediantes LGBT incríveis", afirma Bruno. Gongada Drag Divulgação Apesar de a comédia ser feita por LGBTs e com referências desse universo, Bruno defende que o Gongada tem humor universal e vem atraindo mais héteros com o passar do tempo. "No começo não tinha ninguém. Quem ia estar lá? Um perdido, um namorado de alguma mulher. E aí foi aumentando. Antes [a participação de héteros] era mínima e foi aumentando para 10%. Hoje dependendo do show vai ter entre 10% e 20%", pontua. Com mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais, o comediante Fernando Pedrosa compartilha a mesma percepção de Bruno sobre a diversidade do público em suas apresentações — conhecidas pela interação e por muito xaveco. Em conversa com o g1, Pedrosa ainda brinca e define seus shows como "heterofriendly" (amigável para os héteros, em português). "Não é um show traduzindo a cultura LGBT para os héteros, mas é um show que fala com todo mundo, que conta a história da plateia. Todo mundo já viveu uma história de relacionamento, de família, de trabalho. Não é um show exclusivamente feito para a comunidade LGBT, mas tem como lente principal a comunidade LGBT", explica Pedrosa. A era dos cortes Fernando Pedrosa Edu Ferrari Apesar de ter 10 anos de carreira, Pedrosa demorou alguns anos para atingir o atual sucesso conquistado por meio da publicação de cortes dos seus shows nas redes sociais e do estilo adotado nas apresentações. O comediante mistura diferentes linguagens: stand-up, interação com o público, palhaçaria e improviso. Ele conta que certo dia o perfil do Clube do Minhoca, tradicional casa de comédia em São Paulo, publicou um trecho de seu show que bateu mais de 1 milhão de visualizações. Foi nesse momento que ele percebeu a oportunidade de viralizar e fazer propaganda, passando a publicar vídeos com frequência no próprio perfil. Em 2023, os espetáculos de Pedrosa reuniam, em média, de 80 a 250 pessoas por sessão. Em 2026, o público saltou para 1,6 mil espectadores por apresentação. Segundo a produção do humorista, a expectativa é alcançar 160 mil pessoas ao longo do ano — um crescimento estimado de 20% em relação a 2025. A minha fonte de renda é venda de ingresso. Para vender ingresso, tem que ter público. Para ter público, preciso ter rede social ativa, não tem como. Até os grandes comediantes, que estão na Globo, postam com frequência. Ou a gente trabalha com as redes sociais, ou fica um pouco fora do modelo de mercado. Segundo Pedrosa, as publicações nas redes sociais também possibilitam a criação de uma comunidade LGBTQIAPN+ online. Como o agendamento de apresentações depende de demanda, dificilmente é possível alcançar os pequenos municípios pelo país. “Às vezes recebo umas mensagens muito fofas de gente que mora em cidade de 4 mil pessoas. 'Fico assistindo ao seu show e parece que eu conheço um monte de gente. Parece que sei várias histórias e que tem uma galera próxima de mim'", diz o comediante. Assim como funciona para Pedrosa, as redes sociais também são o principal divulgador do Gongada. "[O corte] é conteúdo e, ao mesmo tempo, é o comercial. Então, as pessoas querem ver aquilo com a nossa garantia", diz Bruno. Para atender o público que está longe das capitais, o Gongada também criou um clube de assinantes no YouTube com vídeos longos dos espetáculos. Mesmo quem nunca os viu presencialmente consegue integrar a comunidade online. Babu Carreira Marina Faria Nova linguagem: interação Se o stand-up tradicional ficou conhecido pelo formato de monólogo, a nova geração da comédia LGBTQIAPN+ brasileira caminha em outra direção: a da troca constante com a plateia. Improviso, comentários em tempo real, respostas rápidas e histórias compartilhadas pelo público passaram a integrar o centro dos espetáculos. Comediantes como Fernando Pedrosa, Carol Delgado e Bruna Louise ajudaram a consolidar esse modelo, impulsionado principalmente pelos cortes virais nas redes sociais. Para a comediante Babu Carreira, o crescimento desse tipo de humor acompanha uma mudança no comportamento da plateia. “O público não está mais interessado em só ouvir você discursar em cima do palco sobre a sua vida. Ele quer rir junto com você, quer contar alguma coisa para você”, afirma. Conhecida por piadas sobre bissexualidade, gordofobia e relacionamentos, Babu se mudou do Rio de Janeiro para São Paulo no fim de 2017 e rapidamente ganhou espaço na cena paulistana ao abordar temas pouco comuns no stand-up da época. “Eu tinha um texto muito disruptivo para aquele momento. Era uma mulher gorda falando sobre aceitação, sobre não ter vergonha do próprio corpo, sobre bissexualidade”, relembra. Segundo a comediante, o diferencial acabou atraindo atenção de produtores e casas de espetáculo logo nos primeiros meses na capital paulista. “Gerentes de casas de comédia começaram a prestar atenção em mim muito rápido por essa ideia de atrair um nicho diferente. Eu fui parar na televisão muito rápido também em função disso. No meu primeiro ano de comédia em São Paulo, eu já estava gravando com o Comedy Central [canal pago de humor]”, conta. Apesar do crescimento da representatividade LGBTQIAPN+ na comédia, a artista afirma que o mercado atravessa uma fase de mudanças. Segundo ela, o público tem consumido menos apresentações tradicionais de stand-up e demonstrado interesse por formatos mais espontâneos e participativos. “Acho que a gente vive um momento de crise. As pessoas estão consumindo menos o show ao vivo e mais comentários sobre realidade, relacionamentos e comportamento nas redes sociais”, diz. Na avaliação da comediante, o sucesso da interação mostra que a plateia deixou de ocupar apenas o lugar de espectadora e passou a integrar o próprio espetáculo. Serviço: Babu Carreira é Monstro 📅Quando? Sábado (26) 📍Onde? Acústico Comedy | Rua da Consolação, 2.518, Centro ➡️Mais informações e ingressos Gongada Drag - Edição Terapia com a Dra. Rosangela 📅 Quando? 21 de maio 📍Onde? Teatro Sabesp Frei Caneca | R. Frei Caneca, 569, Centro ➡️Mais informações e ingressos Fernando Pedrosa - Xaveca a Plateia e Bebe Vinho 📅 Quando? 5 de junho 📍Onde? Teatro Sabesp Frei Caneca | R. Frei Caneca, 569, Centro ➡️Mais informações e ingressos Gongada Drag - Edição Parada LGBT 📅 Quando? 6 de junho 📍Onde? Teatro Bradesco | R. Palestra Itália, 500, Perdizes, Zona Oeste ➡️Mais informações e ingressos

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/16/com-improviso-e-deboche-shows-de-comedia-lgbt-lotam-teatros-em-sp-e-atraem-ate-publico-hetero.ghtml


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